PENSAR A EDUCAÇÃO SUPERIOR: Uma Contribuição ao Subsistema de Ensino (1º Volume)
Sobre este livro
As condições que levaram ao surgimento do ensino superior, através da única instituição em Angola, não tinham sido das melhores, pelas seguintes razões: estar relacionado com a necessidade de atender os descendentes da elite do momento e de favorecer formação para alguns poucos que se destacavam e que serviam de mão de obra para a administração da época. Com a independência nacional em 1975, a universidade abre-se para todos interessados, todavia, a carência de docentes e as condições que as instituições apresentavam no momento, este subsistema de educação, assim como outros, viu-se submetido a um tipo de gestão que não se ajustava com a de uma academia. Tal foi o forte pender político e de orientação mais ideológica do que académica e científica.
Silva (2004, p. 159) afirma que a "transformação da Universidade de Luanda numa universidade nacional foi um processo relativamente rápido mas difícil e conturbado e esteve intimamente associado aos acontecimentos que marcaram o difícil e conflituoso processo de ascensão de Angola à independência".
Aspectos dignos de registo, estão relacionados com o facto de o primeiro reitor da Universidade Angolana ter sido o Presidente da República, e ter havido reitores depois com estatuto de vice-ministros, ou seja, membros do Governo; uma clara evidência de que o governo universitário ou académico confundia-se com o Governo de Estado. Logo, a universidade angolana, quer na sua génese, no período colonial, quer na sua transformação, após a independência, mantinha no seu DNA, uma gestão com forte presença política.
Passados 50 anos de Angola Independente, entre encontros e desencontros, hoje, enquadrado como um subsistema de ensino e educação, este ensino passa por metamorfoses, apresentando desafios que são próprios do seu contexto, para além de outros que existem e impõem ultrapassar. A abordagem centrar-se-á, na gestão do ensino superior, através de um olhar sobre desafios endógenos e exógenos.